Francesinha? Passou. O Met Gala 2026 foi tomado por unhas que pareciam joias, obras de arte e até negativos de filme
O Met Gala 2026 foi tomado por unhas que pareciam joias. Tem coisa mais reveladora do que observar as mãos de alguém num evento de gala? Na noite de 4 de maio, em Nova York, enquanto todo mundo discutia quem usou melhor o tema “Moda é Arte” no Metropolitan Museum, uma tendência crescia debaixo dos nossos narizes — ou melhor, debaixo dos nossos olhos — sem muito aviso. As unhas do Met Gala 2026 não foram acessório secundário. Foram declaração.
Não é exagero dizer que a nail art desse baile foi a mais ambiciosa dos últimos anos. Em edições anteriores, as mãos costumavam aparecer em segundo plano, acompanhando o vestido sem nenhuma intenção própria. Nessa edição, pelo menos uma dezena de convidadas fez o caminho inverso: as unhas ditaram o raciocínio do look inteiro.
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Quando a ponta da francesinha vira tira de filme

Sabrina Carpenter foi a performer da noite e chegou com um vestido Dior construído literalmente com negativos do filme Sabrina, de 1954, protagonizado por Audrey Hepburn. Qualquer nail art que não conversasse com isso seria um desperdício de oportunidade.

A manicure escolhida foi uma francesinha — mas não aquela versão que você viu em qualquer casamento dos anos 2000. A ponta das unhas amendoadas foi trabalhada em preto e nude, e um detalhe minucioso reproduzia o aspecto gráfico dos negativos analógicos: linhas, contrastes, o mesmo vocabulário visual do vestido estampado até a bainha. Foi a mesma mão que assinou a escolha do look que pensou nas unhas. Isso importa.


Lisa, do BLACKPINK: unhas feitas de gelo (ou quase isso)

O visual de Lisa no Met Gala 2026 foi assinado por Robert Wun e coberto de cristais do topo à bainha. A coerência entre roupa e beleza foi total — e as unhas foram o elo que fechou a narrativa.
O manicurista Juan Alvear criou o que chamou de frost-bitten nails: press-on nails em formato amendoado, com base nude, toque de cromado e aplicações de strass prata e azul em diferentes tamanhos e formas. Algumas unhas tinham um efeito nublado, como se estivessem congelando. A inspiração foi declarada: as joias Bvlgari que compunham o visual, interpretadas como se estivessem sendo tomadas pelo gelo.

É o tipo de nail art que não existe de improviso. É briefing, é planejamento, é semanas de conversa entre manicurista e estilista.

Rihanna e o metalizado que não pede desculpa

Rihanna apareceu com um visual Maison Margiela que dependia inteiramente do brilho — maquiagem cintilante, tecido refletivo, toda a lógica da produção construída em torno da luz. As unhas seguiram o mesmo argumento: totalmente metálicas, sem interrupção, sem contraste, sem nenhuma concessão ao convencional.

Não é a primeira vez que ela entrega uma nail art que funciona como extensão da maquiagem. Mas nessa edição, com o tema pedindo que moda e arte se confundissem, a escolha ganhou uma camada extra de sentido.

Emma Chamberlain e a continuidade que vira técnica

Emma Chamberlain chegou com um vestido Mugler pintado à mão — uma peça única, com estampa que parecia aquarela sobre tecido. Qualquer manicure diferente teria rompido o raciocínio visual.

A solução foi estender a estampa do vestido até as unhas. Não como referência, mas como continuidade literal: os mesmos tons, a mesma textura gestual, o mesmo acabamento aquarelado. Quando você olha para as mãos dela, não sabe onde o vestido termina. Isso é styling com intenção.

Tessa Thompson foi ao azul até a ponta dos dedos

Tessa Thompson usou um vestido Valentino em azul intenso — daquele tipo de cor que não negocia com o restante do look. Para as unhas, a resposta foi mergulhá-las no mesmo tom. Literalmente: unhas azuis que carregavam a mesma saturação do vestido.

É uma escolha que parece óbvia só depois que você vê. Na prática, exige confiança. Uma cor tão presente nas mãos poderia competir com a peça principal. No caso dela, reforçou.

Strass, cromado e o maximalismo de Serena Williams e Sabrina Harrison

Serena Williams apostou em aplicações de strass com efeito 3D em unhas extralongadas. O resultado tinha algo de armadura e algo de joalheria ao mesmo tempo — a nail art como objeto de desejo independente do look.


Sabrina Harrison, conhecida pelo maximalismo sem freio, misturou esmalte dourado metalizado com pedras aplicadas em unhas igualmente alongadas. O efeito final lembrava mais uma peça de ourivesaria do que uma esmaltação tradicional.
As duas estavam no mesmo campo semântico: unhas que não precisam do contexto do vestido para existir. Que funcionariam numa vitrine de joia.

O minimalismo também apareceu — e não foi tímido
Não foi uma noite só de excessos. Anne Hathaway chegou com unhas curtas, linhas diagonais brancas sobre base translúcida. Lena Dunham escolheu estampa ton-sur-ton com o vestido vermelho — discreta, mas pensada. Alysa Liu, em sua estreia no baile, combinou esmalte nude longo com cristais pequenos no mesmo tom da pele.

O que diferencia essas escolhas do básico é que nenhuma delas parece acidental. São decisões que custaram tempo e conversa. O minimalismo intencional tem uma presença diferente do minimalismo por falta de ideia.
O que muda daqui pra frente nos salões
O Met Gala não é só tapete vermelho. É também um termômetro que aponta o que vai dominar os salões nos próximos meses. E o sinal de 2026 é bastante claro.
A francesinha não vai desaparecer — mas a versão com ponta branca padrão já não serve mais. O que vai crescer é a francesinha com personalidade: invertida, dourada, com detalhes analógicos, com acabamentos que convertem com o resto do look. As press-on nails de qualidade, que permitiram a nail art de Lisa, também ganham força como solução viável para quem quer impacto sem o tempo de execução de um salão especializado.
O cromado e o metalizado seguem em alta, mas com mais precisão do que antes — menos brilho genérico, mais intenção de refletir algo específico. E as aplicações 3D, que já vinham crescendo, chegaram ao Met Gala com força suficiente para confirmar que não são moda passageira.
Para os profissionais de nail art, o recado é que o cliente exigente vai chegar com referências mais elaboradas. E para quem usa unhas como ponto final de uma produção, o Met Gala 2026 deixou uma lição: a mão no vestido, a ponta no look. Nada acontece por acaso.
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