Os Principais Tipos de Lifting Facial e Como Funcionam

Os Principais Tipos de Lifting Facial e Como Funcionam. Quem acompanha o universo da medicina estética percebe que o lifting facial deixou de ser um procedimento único, padronizado, para se tornar um campo com dezenas de variações — cada uma desenhada para um tipo de envelhecimento, uma região específica ou um perfil de paciente diferente. O problema é que muita gente chega ao consultório sem entender minimamente o que está sendo proposto, o que torna a conversa com o médico mais difícil e a decisão, muito menos informada.

Este artigo existe para mudar isso. Não para substituir a consulta — nenhum texto faz isso —, mas para que você chegue sabendo o mínimo sobre o que existe e por que cada técnica foi criada.

O que determina qual tipo de lifting é indicado?

Antes de entrar nas técnicas, vale entender o raciocínio por trás delas. O envelhecimento facial não acontece de maneira uniforme. Enquanto algumas pessoas perdem volume nas bochechas cedo, outras desenvolvem ptose (queda) das pálpebras antes de qualquer outra mudança. Há quem acumule gordura no pescoço e quem sinta a flacidez bater forte na linha da mandíbula.

Por isso, o cirurgião ou dermatologista avalia três fatores principais: a região afetada, a profundidade das estruturas comprometidas e a intensidade da flacidez. Com base nisso, define se o caso exige cirurgia, procedimento minimamente invasivo ou uma combinação dos dois.

Lifting cirúrgico tradicional (Ritidoplastia)

Dr. André Araújo

A ritidoplastia é o que a maioria das pessoas imagina quando pensa em “cirurgia de rejuvenescimento”. No procedimento clássico, o cirurgião realiza incisões estratégicas — geralmente ao longo da linha do couro cabeludo, na frente e atrás da orelha — para acessar as camadas mais profundas da face.

O que diferencia o lifting moderno do que era feito nas décadas passadas é o trabalho no SMAS (Sistema Músculo Aponeurótico Superficial), uma camada de tecido conjuntivo e músculo que fica abaixo da pele. Quando apenas a pele era tensionada, o resultado ficava artificial e durava menos. Ao reposicionar o SMAS, os tecidos voltam para uma posição mais anatômica, com naturalidade maior e longevidade superior.

A recuperação exige cuidado: inchaço e hematomas duram de duas a quatro semanas, e o resultado final só aparece após três a seis meses. É indicado para casos de flacidez moderada a severa, especialmente na região do terço médio e inferior da face e no pescoço.

Mini-lifting (Short Scar Facelift)

Cosmetic Surgery Vancouver

O mini-lifting surgiu como resposta à demanda de pacientes mais jovens — entre 40 e 55 anos — que ainda não precisavam da abordagem completa, mas já sentiam os primeiros sinais de queda na região da bochecha e da mandíbula.

As incisões são menores, geralmente limitadas à região próxima à orelha, sem extensão para o couro cabeludo. O tempo cirúrgico é reduzido, assim como o período de recuperação. A limitação é que o acesso ao SMAS fica restrito, o que torna o procedimento menos eficaz para flacidez severa ou excesso de pele pronunciado.

É um caminho interessante para quem quer resultado visível sem o comprometimento de uma cirurgia maior — desde que a indicação seja correta.

Lifting do pescoço (Neck Lift)

Os Principais Tipos de Lifting Facial e Como Funcionam
Dr. João Carlos Pereira Filho

O pescoço envelhece de um jeito particular. As chamadas “bandas platismais” — aquelas cordas verticais que aparecem na região anterior do pescoço — surgem quando o músculo platisma perde tônus e se separa na linha central. Além disso, o acúmulo de gordura submentual (embaixo do queixo) e a flacidez da pele criam o que popularmente se chama de “papada” ou “pescoço de peru”.

O lifting cervical age diretamente nessas estruturas. O cirurgião pode realizar incisões atrás das orelhas e/ou uma pequena incisão embaixo do queixo para acessar o platisma, reposicioná-lo e retirar o excesso de gordura e pele. Com frequência, é combinado com a ritidoplastia facial para um resultado mais harmonioso.

Lifting de sobrancelha (Browlift ou Lifting frontal)

Os Principais Tipos de Lifting Facial e Como Funcionam – Imagem: Dr. João Carlos Pereira Filho

A queda das sobrancelhas é um dos sinais mais precoces de envelhecimento e, paradoxalmente, um dos mais negligenciados. Quando as sobrancelhas descem abaixo da borda óssea da órbita, a expressão fica cansada e fechada — independentemente do estado das pálpebras.

O browlift corrige exatamente isso. Há duas abordagens principais: a técnica coronal (com incisão mais ampla no couro cabeludo, menos usada atualmente) e a técnica endoscópica, em que câmeras minúsculas permitem acesso por pequenas incisões escondidas no couro cabeludo. A versão endoscópica deixou a técnica mais acessível, com cicatrizes menores e recuperação mais rápida.

É comum ser realizado junto com a blefaroplastia (cirurgia das pálpebras) para tratar toda a região periocular de uma vez.

Lifting com fios (Thread Lift)

Os Principais Tipos de Lifting Facial e Como Funcionam
Clínica Humanitá

Os fios de sustentação são hoje uma das alternativas minimamente invasivas mais procuradas. Fios absorvíveis — geralmente de PDO (polidioxanona) ou PLLA (ácido poli-L-láctico) — são inseridos sob a pele com agulhas ou cânulas e criam pontos de ancoragem que tracionam os tecidos para cima.

O procedimento é feito em consultório, com anestesia local, sem incisões. A recuperação é rápida — a maioria das pessoas retorna às atividades normais em poucos dias. O resultado aparece de imediato e melhora progressivamente à medida que os fios estimulam a produção de colágeno ao redor.

A limitação é clara: o efeito é mais discreto do que o cirúrgico e dura entre 18 meses e dois anos, dependendo do tipo de fio e da resposta individual. Para flacidez leve a moderada, porém, pode ser uma solução eficaz e com excelente relação custo-benefício.

SMAS Lift e Deep Plane Lift

Asthetik Lab
Os Principais Tipos de Lifting Facial e Como Funcionam
Asisinstituto

O SMAS Lift e o Deep Plane Lift são variações técnicas da ritidoplastia que se diferenciam pela profundidade de acesso aos tecidos.

No SMAS Lift, a camada SMAS é separada da pele e manipulada de forma independente, permitindo reposicionamento mais preciso. No Deep Plane, o cirurgião vai ainda mais fundo, liberando ligamentos retentores que prendem os tecidos ao osso — estruturas que, quando soltas, permitem um reposicionamento mais completo e natural, especialmente no terço médio.

O Deep Plane produz resultados mais consistentes para quem tem flacidez severa na região do sulco nasogeniano (bigode chinês) e das bochechas, mas é tecnicamente mais complexo e exige um cirurgião com treinamento específico nessa abordagem.

Como escolher entre as opções?

A resposta depende menos de preferência pessoal do que de avaliação clínica criteriosa. Cirurgiões plásticos e dermatologistas especializados em procedimentos estéticos consideram: a idade do paciente, a qualidade da pele, o grau de ptose, a presença ou ausência de excesso de gordura e, claro, as expectativas reais de resultado.

Nenhuma técnica é universalmente superior. O lifting cirúrgico oferece resultados mais expressivos e duradouros, mas exige tempo de recuperação e envolve riscos cirúrgicos. Os procedimentos minimamente invasivos permitem ajustes pontuais com impacto menor na rotina, mas com limitações de resultado.

O ponto de partida é sempre a consulta. E agora, pelo menos, você já sabe do que se trata quando o médico menciona cada uma dessas opções.

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