5 Melhores Sapatos para o Verão (E Como Cada Um Deles Funciona de Verdade no Dia a Dia)
5 Melhores Sapatos para o Verão. Existe uma diferença entre o sapato que você compra porque estava na vitrine e o sapato que você compra porque resolve alguma coisa. O verão brasileiro — aquele verão de 35 graus às dez da manhã, de programa improvisado, de roupa trocando duas vezes no dia — exige o segundo tipo. O que parece bonito no lookbook nem sempre sobrevive a uma tarde em São Paulo ou a um calçadão no Rio.
A lista abaixo não foi montada com base no que está em alta nas passarelas europeias, mas no que realmente funciona quando o calor bate de frente. Cada modelo tem motivo para estar aqui — e tem também o cenário onde ele resolve e o cenário onde ele decepciona, porque nenhum sapato é bom em todas as situações, por mais que os anúncios insistam no contrário.
1. Sandália de Tiras Finas com Detalhe Metálico

A sandália de tiras finas não é novidade — ela existe há décadas —, mas a versão que dominou o verão 2025/2026 carrega um detalhe que muda tudo: as argolas, fivelas e entremeios metálicos em dourado ou prata que transformam o modelo de básico em peça com presença. A diferença visual entre uma sandália de tira plana sem acabamento e a mesma sandália com argola dourada no tornozelo é enorme, proporcional ao esforço zero que dá usar.
O que esse modelo resolve bem é a versatilidade de ocasião. Ele funciona com vestido longo de algodão de dia e com look de noite sem precisar de troca — basta a roupa mudar. Em Florianópolis ou Fortaleza, onde a agenda vai da praia ao restaurante em questão de horas, esse é o sapato que faz sentido econômico e prático. Você não precisa de dois pares diferentes.
O que ele não resolve: pés que transpiram muito vão marcar couro legitimo com o suor das tiras depois de algumas horas. Se esse é o seu caso, prefira os modelos em material sintético de alta qualidade — sim, eles existem e têm acabamento decente desde que você não compre na faixa dos R$ 25. Faixas entre R$ 80 e R$ 200 já entregam material com respiração melhor e costura que aguenta o verão inteiro sem descolar.
Combinação que não erra: vestido midi de viscose em tom terroso ou off-white. A sandália metálica contrasta sem brigar, e o resultado parece composto mesmo quando foi montado em dez minutos.

2. Papete com Solado Flatform

A papete voltou — e voltou sem pedir desculpa. O modelo com tiras largas, fecho em velcro e solado anatômico existia nos anos 90 e 2000 como sapato funcional sem nenhuma pretensão estética. O que o verão 2025/2026 fez foi adicionar o solado flatform, que dá entre 3 e 5 cm de altura sem o desconforto de um salto, e repaginá-lo em cores que vão do branco gelo ao verde sage, passando pelo caramelo.
A vantagem técnica é real: o solado flatform distribui o peso do corpo de forma mais uniforme do que qualquer salto convencional. Para quem passa horas em pé — em feiras, em eventos ao ar livre, em parques — essa diferença aparece no fim do dia. O pé simplesmente não cansa da mesma forma.
O que torna a papete atual é a combinação com roupas que até pouco tempo ninguém tentaria. Com calça de linho de corte reto e blusa tucada, ela vira sapato de look casual de trabalho em ambientes com dress code flexível. Com vestido curto e bolsa estruturada, vira peça de contraste intencional — aquele choque de expectativa que é a base do styling contemporâneo.
O detalhe que separa as papetes: o fechamento. Modelos com fivela metálica têm mais personalidade e ajustam melhor. Os com velcro puro têm praticidade máxima mas passam uma ideia mais esportiva. Nenhum dos dois é errado — é só uma questão de onde você vai usar.

3. Mule de Salto Bloco

O mule — aquele sapato sem tira no calcanhar — tem uma proposta que parece contraditória: você enfia o pé, sai andando, e ele não cai. Quando bem fabricado, é exatamente isso que acontece. O segredo está na palmilha levemente inclinada e no encaixe do peito do pé, que segura o sapato sem amarração nenhuma.
O salto bloco especificamente virou a versão de verão do mule mais procurada porque resolve o problema histórico do modelo: instabilidade em pisos irregulares. O salto fino em mule exige uma forma de andar que não é natural para a maioria das pessoas, e em calçada irregular vira armadilha. O bloco, com base mais larga, devolve estabilidade sem abrir mão da altura.
No contexto de trabalho, o mule de salto bloco é a resposta para quem precisa de um sapato que diga “profissional” sem sacrificar a circulação dos pés durante uma tarde de reuniões. Em preto com bico amendoado, ele funciona com praticamente qualquer combinação de calça e blusa. Em nude ou bege, alonga a silhueta porque cria continuidade visual com a pele — truque antigo mas que ainda funciona.
Onde ele falha: em pisos molhados. O mule sem tira no calcanhar e solado liso numa calçada molhada é uma combinação ruim. Se o seu verão inclui muita chuva ou pisos de cerâmica molhada, prefira modelos com microfibra antiderrapante na sola ou adicione uma fita adesiva antideslizante — solução feia mas funcional que sapateiros conhecem bem.

4. Rasteirinha com Acabamento Artesanal

A rasteirinha não saiu de moda porque nunca foi moda — ela é infraestrutura. O verão brasileiro sem uma rasteirinha boa é um exercício de teimosia. O que mudou nos últimos anos é o acabamento: saiu a rasteirinha de solado fino que durava dois meses e entrou o modelo com couro genuíno, costuras reforçadas e detalhes que levam o artesanato a sério.
Os acabamentos que dominam agora são as amarrações cruzadas no tornozelo (inspiração grega, usada no Brasil desde os anos 80 mas ressignificada pelas coleções de 2024/2025), as pedrarias discretas aplicadas na tira frontal sem exagero, e as versões em couro trançado que têm textura visível mesmo à distância. Nada disso é tecnicamente novo, mas a combinação com palmilha anatômica — detalhe que as versões mais baratas ainda ignoram — faz desses modelos uma categoria diferente das rasteirinhas descartáveis.
O preço aqui é onde a conversa fica honesta. Uma rasteirinha de couro legítimo com costura feita corretamente custa a partir de R$ 150 e pode chegar a R$ 400 dependendo da marca. Modelos abaixo de R$ 80 geralmente têm couro sintético que descasca em dois ou três verões. A conta matemática favorece investir: dois verões com uma boa rasteirinha versus trocar todo ano fica mais barato além de produzir menos lixo.
Para quem tem joanete ou pé largo: as rasteirinhas com tira única ou formato aberto ao redor do dedão são as mais confortáveis. As de tiras cruzadas que passam por cima do dedão podem apertar dependendo do formato do pé. Vale experimentar antes de comprar, especialmente em marcas que não têm política fácil de troca.

5. Tamanco de Madeira (Clog Flatform)

Esse é o modelo que divide opiniões, e é exatamente por isso que ele está nessa lista. O tamanco de madeira — ou com solado que imita madeira em borracha densa — voltou ao street style global no verão 2024/2025 com uma proposta diferente da sua encarnação original dos anos 70: menos rústico, mais construído. As versões atuais têm tachinhas metálicas, tiras de couro ajustáveis e acabamento que oscila entre o boho refinado e o industrial leve.
O que o clog oferece que nenhum outro modelo nessa lista oferece é presença visual imediata. Ele ocupa espaço. Com vestido curto floral e bolsa de palha, o tamanco cria o tipo de contraste peso/leveza que fotografa muito bem e que no mundo real também funciona porque equilibra a fluidez do tecido com algo que ancora o look. Com jeans reto de cintura alta e t-shirt branca, ele transforma um básico em algo que parece intencional sem nenhum esforço adicional.
O cuidado que vale mencionar: tamanco em madeira real é pesado. Após três horas caminhando, o peso acumulado no pé começa a aparecer. Os modelos em solado de borracha que imitam madeira são mais leves e têm mais absorção de impacto — são uma escolha mais inteligente para quem vai usá-los por mais de duas horas seguidas. A diferença visual entre madeira real e a imitação é pequena a olho nu, mas a diferença de conforto é considerável.

Combinação menos óbvia que funciona: tamanco flatform escuro com vestido midi de linho cru. O contraste de formatos — a sola robusta com o tecido esvoaçante — é o tipo de combinação que passa despercebida para quem não entende de moda e que quem entende percebe na hora.
Uma observação final sobre tamanho e largura: todos esses modelos existem em faixas de preço muito variadas, mas tamanho e largura são onde mais acontecem erros de compra por impulso, especialmente em compras online. Pé largo com calçado de tira estreita vai machucar independentemente da qualidade do material. Pé com peito alto vai ter problemas com papetes de tira muito baixa. Antes de comprar qualquer um dos modelos acima — mas especialmente mule e tamanco, que dependem do formato do pé para funcionar —, vale medir o pé em centímetros e comparar com a tabela do fabricante, não só o número do calçado. A numeração brasileira não é padronizada entre marcas, e dois sapatos tamanho 37 podem ter até 1,5 cm de diferença no comprimento interno dependendo de onde foram fabricados.
O verão dura meses, e o pé sente cada um deles.
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